by Marcelo Forggi - Sommelier e Advogado

sábado, 21 de setembro de 2013

As calorias do vinho


O consumo frequente e moderado de vinho é um excelente hábito para a saúde. Mas não podemos ignorar o valor calórico do vinho, assim como das outras bebidas. Estar familiarizado com essa informação pode ser muito útil. Assim, é possível manter esse prazer tão saudável, usando a teoria da compensação, sem arruinar sua dieta!
Dependendo do vinho, uma taça pode ter de 100 até 300 kcal. Os principais fatores são o teor de álcool, a doçura inerente ao vinho, e o tamanho da taça.
Veja, a seguir, algumas referências, e oriente sua escolha no dia a dia.
Antes de mais nada, vamos partir de uma premissa, tida quase como “universal”: cada garrafa de vinho de 750 ml equivale a 4 taças de vinho (187,5 ml cada). Essa quantidade vai variar muito de pessoa para pessoa, de dia para dia, e de taça para taça; mas é um referencial, ok?

vinho branco suave
Aqueles com menor teor alcoólico (até 9%), terão entre 100 e 150 kcal por taça. Sabe quais são esses vinhos? Moscato d’Asti, Chenin Blanc, Spätlese Riesling alemão, Lambrusco...
Se você escolher um branco suave de maior teor alcoólico, de 9 a 12%, considere entre 170 e 220 kcal por taça. Os vinhos desta categoria podem ser Gewürztraminer, Silvaner, Malvasia, entre outros. 

vinho branco seco
Brancos secos de menor teor alcoólico já partem, em geral, de 9%. Se ele tiver menos de 12% de álcool, estime cerca de 100 a 150 kcal a cada taça. As variedades nesse grupo são muitas: Pinot Blanc, Pinot Grigio, Torrontes, Trebbiano, Muscadet, Vermentino, Grenache, Verdejo, Albariño e o Vinho Verde português...
Não se engane: cepas como Torrontes, Muscadet e Pinot Blanc, por exemplo, podem estar presentes em brancos secos com teor de álcool entre 12 e 14%, também. Nesse caso, as calorias por taça devem estar entre 150 e 180. Outros exemplos são Chardonnay, Sauvingnon Blanc, Viognier e Marsanne.

vinho tinto
De Pinot Noir a Cabernet Sauvignon e Shiraz, qualquer taça de tinto seco com menos de 13,5% de teor alcóolico pode ser considerada como tendo entre 130 e 170 kcal.
Agora, se o vinho tinto tiver teor alcóolico variando de 13,5 a 16%, fique atento às calorias, que podem estar entre 160 e 200 por taça!

vinho espumante
Vinhos espumantes secos, sejam Champagnes, Cavas, Prossecos... com menos de 12,5% de álcool (teor máximo permitido para Champagne), vão apresentar calorias na faixa de 140 a 170 kcal por taça.
Já espumantes suaves, ou então com teor alcoólico alto (de 12,5 a 15%), serão mais calóricos, partindo de 170 e aproximando-se de 200 kcal por taça.

vinho de sobremesa ou fortificado
Aqui vai uma exceção para o tamanho da taça. Nesse caso, a taça-padrão é de 90 ml, já que os hábitos de consumo desses vinhos são mesmo diferentes. Contudo, não se deixe levar pelo tamanho da taça; vinhos como Porto, Sherry, Sauternes, Madeira, costumam apresentar entre 200 e 350 kcal por taça. Mas nada que pular a sobremesa não compense, não é mesmo?


O vinho contra a obesidade


Mais da metade dos brasileiros está acima do peso. De fato, o aumento nas taxas de obesidade é observado há anos, e em diversos países. E o que o vinho tem a ver, ou não, com isso?

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Navarra, na Espanha, acompanhou mais de 9.000 adultos sem doença crônica anterior, ao longo de 6 anos. Os consumidores frequentes de cerveja e de bebida destilada apresentaram ganho significativo de peso, quando comparados aos abstêmios. Entretanto, não houve associação entre o consumo frequente e moderado de vinho e aumento de sobrepeso ou obesidade. O consumo de vinho foi associado, inclusive, em alguns casos, à perda de peso.

Mas qual seria a relação entre o consumo de vinho e o controle da obesidade?

Um estudo da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, publicado em 2012 no Journal of Biological Chemistry, sugere que o vinho tinto pode ajudar a combater a obesidade, em função de um composto com estrutura química semelhante ao resveratrol, o piceatannol.

Esse composto, encontrado nas cascas e sementes das uvas, e também em outras frutas, tais como maracujá, inibe o processo de desenvolvimento das células adiposas. E essa pode ser a chave para evitar o acúmulo de células de gordura, e, consequentemente, o ganho de peso.

Um estudo anterior, realizado na Alemanha em 2008, na Universidade de Ulm, já havia chegado a uma conclusão semelhante, com a sugestão de que o resveratrol, antioxidante presente no vinho, inibe o crescimento dos precursores das células adiposas, evitando que se convertam em células maduras, e impedindo o armazenamento de gordura.

Os resultados destes estudos podem ser confundidos pelo fato de que, em geral, os bebedores de quantidades moderadas de vinho tinto tendem a escolher um estilo de vida e uma alimentação mais saudável.

De qualquer forma, essas são pesquisas que abrem portas para um potencial método de controle da obesidade, epidemia que assombra muitos países, inclusive o Brasil.



sexta-feira, 20 de setembro de 2013




Mais uma boa notícia vinda diretamente do mundo de Baco: o vinho deixa a pele de homens e mulheres mais saudável, e mais bonita. É como juntar o útil ao agradável, e ao útil de novo, e mais uma vez, ao agradável...

Pesquisas realizadas durante décadas, em diversas partes do mundo, atestam para diversos benefícios do consumo moderado de vinho para a saúde de nossa pele:

Antienvelhecimento
O vinho contém alta quantidade de antioxidantes, que combatem os radicais livres, proporcionando um efeito antienvelhecimento. Estudos mostram que os flavonoides presentes no vinho tinto têm poder antioxidante muito superior ao das vitaminas C e E.

Elasticidade
O vinho também nos fornece o mineral silício, um dos responsáveis na formação do colágeno, ajudando na elasticidade da pele, protegendo unhas, e evitando o desgaste dos fios de cabelos.

Combate à acne
O resveratrol presente, principalmente, no vinho tinto, também ajuda a pele deixando-a menos propensa à acne, e atuando como um agente anti-inflamatório, que ajuda a pele a recuperar-se da indesejada acne.

Hidratação
Se você tem pele seca, saiba que a alta concentração de ácidos alfa hidroxi no vinho tinto seco, como o ácido cítrico, tartárico e málico, é extremamente útil para restaurar a umidade natural da pele, mantendo-a macia e suave. 

Proteção contra os danos dos raios solares
Um estudo recentemente feito na Nova Zelândia comprovou vantagens significativas do consumo moderado de vinho branco para proteger a nossa pele dos danos causados pelos raios UV, principalmente, devido à redução considerável do nível de oxidação das proteínas da pele.

Não é à toa que a indústria cosmética tem, cada vez mais, colocado no mercado produtos à base de uvas e de vinho. E os tratamentos faciais à base desses cosméticos estão cada vez mais na moda!

Mas, por favor, não faça máscaras faciais caseiras utilizando o vinho. A acidez do vinho, interagindo com outros componentes, pode dar um resultado errado e perigoso para a sua pele. Utilize produtos aprovados pelos órgãos responsáveis, como a ANVISA.

Ou, mais prazeroso ainda, consuma vinho moderadamente, e garanta sua dose necessária de antioxidantes, fazendo do vinho um aliado da sua beleza!


Vinte anos após a descoberta do "Paradoxo Francês", estudos científicos continuam a explorar a complexa relação entre o consumo de vinho e saúde. Desta vez, a boa notícia vai para quem conhece as terríveis dores dos cálculos renais!

Quem já passou por isso sabe que a primeira recomendação é: consuma mais líquido! Mas um estudo recém-publicado mostra que nem todas as bebidas são igualmente benéficas para a redução da formação de pedras. Em particular, bebidas adoçadas artificialmente (incluindo refrigerante) são suspeitas de serem responsáveis por um aumento do risco de cálculos renais.

Esse estudo, publicado em maio de 2013 no Clinical Journal of the American Society of Nephrology, contou com mais de 194 mil pessoas, todas sem histórico de pedras nos rins, que foram acompanhadas ao longo de 8 anos. Durante esse período, 4.462 delas desenvolveram o problema, e os cientistas estabeleceram uma relação entre a incidência dos cálculos e os hábitos de consumo de bebidas dos participantes.

O consumo moderado de vinho, tanto o tinto como o branco, foi associado à diminuição da incidência do problema, com uma pequena vantagem, inclusive, para o vinho branco (redução de 31% do risco com vinho tinto, e 33% com vinho branco). Outras bebidas benéficas detectadas no estudo foram: café (com e sem cafeína), chá, cerveja e suco de laranja.

O efeito diurético do álcool talvez seja o motivo da redução do risco nos consumidores frequentes e moderados de vinho. Mas o mecanismo da diurese induzida pelo álcool ainda necessita de estudos mais esclarecedores. E, no caso específico de cálculos renais formados por ácido úrico, que são um tipo raro, ainda não há evidências que comprovem o benefício do consumo alcoólico, já que este estudo não fez tal distinção.
Nunca é demais lembrar que o consumo de álcool pode não ser indicado para todos, apesar do consumo moderado de vinho proporcionar benefícios para a saúde. Na dúvida, consulte um médico.


Descobertas 23 novas moléculas no vinho tinto


Até há bem pouco tempo, conheciam-se apenas 18. Mas agora sabe-se que o vinho tinto contém na sua composição outras 23 moléculas pertencentes à família dos estilbenóides, um tipo de polifenóis onde se contam, por exemplo, os taninos e os pigmentos. 

A descoberta deve-se a um trabalho de investigação científica conjunta entre a canadiana Universidade de British Columbia (UBC) e a australiana Universidade de Adelaide. E vem trazer mais argumentos a todos os que vêem nos tintos uma fonte de saúde. Existentes em grande quantidade na película da uva, os estilbenóides libertam anti-oxidantes durante o processo de vinificação. “São uma defesa natural da uva, garantindo protecção contra as infecções fúngicas e os efeitos da chuva”, explicou à revista Wine Spectator o chefe do departamento de química da UBC e um dos autores do estudo, Cédric Saucier.

Antes desta descoberta, a comunidade científica apenas tinha notificada a existência de 18 tipos diferentes de estilbenóides, entre os quais o resveratrol, o composto mais popular na argumentação a favor dos benefícios do vinho tinto para saúde humana. Os novos 23 componentes, no entanto, aparecem em quantidades menores do que as das outras moléculas já conhecidas - razão pela qual os cientistas nunca as terão detectado antes. 

Para a realização da descoberta agora anunciada, a equipa de cientistas analisou extractos concentrados de Merlot, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon, provenientes de adegas da região canadiana de Okanagan Valley e das colheitas de 2010, e depois separou os compostos para os poder analisar. Encontrou, então, 41 estilbenóides, entre os quais as novas 23 moléculas.

A revista diz que “múltiplos estudos têm confirmado os benefícios de muitos polifenóis, por isso é provável que estas novas entradas na família dos estilbenóides do vinho venham a ter efeitos benéficos na saúde. Mas a confirmação pode ainda demorar”. Muitos testes biológicos terão ainda de ser realizados para confirmar tais teses, salienta a publicação. É que os cientistas ainda estão a tentar perceber como os humanos metabolizam os polifenóis do vinho e como é que esses componentes interagem entre si, uma vez ingeridos. Mas Cédric Saucier tem já algumas convicções: “Descobrimos novos primos do resveratrol. Esperamos que os antioxidantes encontrados nestas moléculas vão adiar as doenças crónicas nos humanos, como o cancro, Alzheimer e doenças cardiovasculares”.

Fonte:  Revista de Vinho - Portugal

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Intel desenvolve processador capaz de funcionar à base de vinho

João Paulo Carrara para o TechTudo

Intel apresentou, durante o Intel Developer Forum, um processador tão eficiente que um copo de vinho tinto é capaz de fornecer energia suficiente para fazê-lo funcionar. Bastou mergulhar dois eletrodos baratos em uma taça com a bebida para o mecanismo condutor de eletricidade reagir com o ácido acético no drink. A pequena corrente elétrica gerada é o suficiente para alimentar um chipset de baixa potência.


Chip da Intel utiliza vinho tinto para gerar corrente elétrica (Foto: Reprodução)

A companhia acredita que esse tipo de chip é o futuro, especialmente quando se trata de conectar pessoas em países menos desenvolvidos. Outra pequena inovação inteligente demonstrada no evento diz respeito ao uso de um acelerômetro em dispositivos móveis configurado para reconhecer o estilo de andar do proprietário.

Para a Intel, se o telefone "sabe" qual atividade está sendo feita pelo usuário, ele vai desbloquear as aplicações mais rápido. O aparelho conseguiria prever que os aplicativos e funções utilizados quando a pessoa está parada são diferentes dos quais ela acessa quando está andando, por exemplo.

O projeto é ainda um conceito e não tem data para chegar ao mercado.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


O desafio de servir um bom vinho nas alturas

FELIPE MORTARA - O Estado de S.Paulo



Tem quem embarque, se acomode na poltrona, dê aquela olhadela no relógio e comece a contar as horas para a chegada. Outros curtem cada detalhe, reparam nos passageiros ao redor e até desfrutam da breve tensão da decolagem. Em todas as classes de um avião os perfis se repetem. No entanto, todos os passageiros podem apreciar e aproveitar uma boa taça (ou copo de plástico estilizado) de vinho a bordo.

Porém, antes de brindarmos, cabe explicar o desafio de escolher um vinho adequado para se beber nos ares. Quase uma ciência, pode-se dizer. Isso porque a 35 mil pés (cerca de 10 quilômetros), altitude de cruzeiro de um avião comercial, o olfato e o paladar são muito prejudicados pela umidade de aproximadamente 15% na cabine - especialistas falam em perda de até 30% de sensibilidade.

"Já provei um mesmo vinho no chão e algumas horas depois em voo. O gosto muda completamente", disse o sommelier da Lufthansa, Markus del Monego, em recente visita a São Paulo.

Afinal, não apenas tipo da uva, safra e região de produção podem influenciar a experiência a bordo. A acidez e o tanino - aspecto que dá aquela ardida na ponta da língua - acentuam-se. 

Todas estas variáveis favorecem vinhos com aromas frutados. Sabores complexos e marcantes podem se destacar a milhares de metros do chão. Contudo, vinhos menos intensos desempenham bom papel em voos curtos, com até 3 horas de duração.

No início do ano, a TAP apostou em uma prova prática nas nuvens para montar sua carta de vinhos realizando um voo com nove experts portugueses e brasileiros a bordo. Após um teste cego em terra com 40 tintos, 40 brancos e 10 espumantes, sommeliers, chefs e jornalistas embarcaram num Airbus A330 para a (com o perdão do trocadilho) prova dos nove. O resultado pode ser bebericado nos voos da empresa.

Seja tinto ou branco, o vinho deve expressar a intensidade da fruta, pois essa característica permite despertar o paladar. É importante ter uma variedade de uva que expresse sua origem geográfica: um sauvignon blanc neozelandês deve ser muito diferente de um sauvignon blanc da Califórnia, por exemplo, e assim por diante. Também por uma questão de coerência (e orgulho, por que não?), empresas como a alemã Lufthansa e a Air France fazem questão de terem a bordo sempre bons vinhos nacionais.

Em caso de dúvida, o especialista Luiz Horta, autor da coluna Glupt! no caderno Paladar do Estadão, recomenda beber nos lounges das companhias aéreas. "Ali os vinhos são melhores e, quase sempre, tem comida quente de qualidade."

Boca na botija. Markus del Monego deu detalhes de como seleciona os rótulos que cruzarão oceanos. Convidou jornalistas a provarem - em um restaurante em terra firme - a harmonização de dois dos fermentados de sua carta. O sauvingon blanc chileno Montes Reserva 2011 aliou brilhantemente seu paladar seco e perfume convidativo com um salmão defumado - combinação clássica nos menus de bordo da primeira classe e da executiva. Em seguida, um suculento baby beef veio acompanhado de um malbec D.V. Catena 2009. 

"Depois de um tempo aprendi a perceber em terra aspectos que fazem de um vinho interessante ou não no ar", afirma Monego.

Semana passada, na executiva da Swiss, pude combinar o aroma do Bordeaux Château Haut Faugères Saint-Emilion Grand Cru 2010 com um impecável - considerando que era comida de avião - bolo de carne moída à moda de Bürgenstock ao vinho tinto. Com sucesso.

Estrelas que fazem sucesso no ar

Air France
Bordeaux Pauillac Château Lynch-Bages 2007: Tinto servido na 1ª classe. Exemplo da qualidade das vinhas francesas, é produzido em um castelo com mais de 200 anos de tradição.

TAPCallabriga Casa Ferreirinha 2010: De cor rubi profunda, este tinto do Douro caracteriza-se por um aroma intenso e complexo. Excelente volume na boca. Final longo e complexo.

UnitedEstancia Reserva Meritage 2009 Paso Robles: Mistura de uvas francesas produzida na Califórnia, este tinto é intenso, com aromas de cerejas negras e um quê de anis e alecrim.

Singapore
Chianti Clássico 2005 Castello Di Brolio: Eis um tinto que envolve a boca e tem aroma suave. É um dos destaques da carta, até porque os tintos de Cingapura não são lá muito famosos.

Lufthtansa
Hochheimer Hölle Künstler 2009: Este branco revela o que de melhor a Alemanha produz. Sommeliers dizem que seu corpo é tão robusto que pode ser consumido agora ou nos próximos dez anos.

TAM
San Román (Toro/Espanha): Intenso, potente e incisivo, exibe nobres aromas de frutas escuras, com notas de chocolate e tostado, num vinho encorpado, saboroso e muito longo. Procedente da região de Toro.

Fonte: Caderno Turismo do Estadão –